sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Quando o silêncio fala.

Lourdinha e Lúcia. Em dois momentos únicos, porém semelhantes, essas duas amigas tiveram uma presença importante na minha vida. A primeira, na inesperada primeira morte vivida tão perto..dentro de meu coração: meu irmão Clebinho se foi..tão novo e sério e apavorado. A segunda, numa morte anunciada: meu amado marido Devanir partiu desse mundo..tão cansado de sofrer, tão resignado depois de tanta luta e impotência diante da incapacidade imposta no auge de sua força e produtividade.  
Nessas duas ocasiões elas me ampararam apenas segurando minha mão. 
Silêncio..aquele que nos fala que não estamos sozinhas na dor..na qual a inimiga morte nos determina o limite, e que nos aponta o elo fulgurante da vida. 
Duas presenças silenciosas e reconfortantes. Obrigada. 
Ouvindo BB King the blues...

https://youtu.be/tR8Vykz3UuY


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

terça-feira, 26 de abril de 2016

Então, vejamos...: Aposentadoria

Então, vejamos...: Aposentadoria: 30 anos, 03 meses, 13 dias ou 11053 dias. Esse foi o tempo trabalhado para os "outros".  Será que somos os donos de nosso tempo? C...

Aposentadoria

30 anos, 03 meses, 13 dias ou 11053 dias. Esse foi o tempo trabalhado para os "outros".  Será que somos os donos de nosso tempo? Comecei a trabalhar em 1984, na antiga Diretoria Regional de Saúde de Itabira. Minha filha ia fazer dois aninhos e eu estava um tanto atordoada pelos os últimos acontecimentos de minha vida - talvez um dia escreverei sobre esse período. Lembro-me, não com precisão de quem falara comigo ao telefone. Mas foi numa quinta-feira, à tarde, que alguém me ligou e falou pra que eu fosse no outro dia, pela manhã, na rua Major Paulo, 45, perto da Igrejinha
do Rosário. Fui. E, a partir daí, passaram-se esses 30 anos. O que é uma vida? Então, agora tenho todo o tempo para me ocupar de mim..de me empoderar. Essa é uma sensação muito, muito boa mesmo. Sempre falei para meus alunos sobre um estudo da neurociências que dizia que saber ler é fundamental, não apenas para entender o mundo, mas entender o conceito de passividade, de receptor. Sem isso, você não consegue alcançar, a contento, a próxima fase de seu empoderar-se, ao conseguir escrever suas visões de mundo. Ali estava o grande lance da comunicação humana. E saber que podemos nos expressar em diversos meios, é muito instigante. Uma coisa é certa, neste momento meu corpo me dá sinais claros de que o tempo dele está começando o seu próprio fim. Uau! 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Fragmentos de um diário...

E assim..de memórias entrecortadas ia tecendo, sobre si, sua história. Recortes de realidades diversas e, no entanto, iguais..girando... 
- O que há além do círculo?
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A verdadeira magia acontece quando você toma sua vida em suas mãos. E tanto mais verdadeiro o sonho se torna quanto mais formos solidários em nossas diferenças... O que nos une é sermos únicos. 
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Quando minha filha veio ao mundo, eu não pensava em nada, especificamente, para ela. Eu pensava: minha filha é "uma tela em branco" na qual ela mesma terá que se construir. Eu apenas a apoiaria, se ela assim o quisesse. Quando a vi, seu nome iluminou minha mente: ALICE. E eu a amei mais que tudo que havia amado antes. E é para o resto de meus dias. 
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"Essa máquina mata fascistas". Arlo Gutrie, sobre sua guitarra.

" A ciência comprova que é o silêncio que mata as pessoas..."  Esqueci de anotar de onde tirei essa frase, mas me faz sentido.
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E o que direi? É melhor ir, seguir em frente, indo aonde a estrada me levar e ver o mundo, pensar os meus olhos, do que ficar e orar. "- O que você fez ontem? - Orei. - E o que faz agora? - Oro!
Oro e vejo milagres de encontros, vejo lágrimas pelos que se foram, mãos que se unem em nome da vida, crianças que nascem, amores que se casam..para sempre?
- E nós, eu e você e todos que se encantam pelo inesperado brilho das estrelas, da inebriante luz do luar e aquele ar das manhãs.
- O que nos une? O que nos diferencia nos separa, ou nos une?

segunda-feira, 10 de março de 2014

Aaaah ...Talvez!

Não. .escrever não é fácil não.  Além da idéia dar o ar de sua graça,  necessário é disciplina. Mas,  não a disciplina das casernas. Digo da disciplina do eu. O eu é egoísta.  Tem os olhos voltados para si mesmo.  E escrever é um ato de entrega e troca.  Não mesmo.  Escrever é viver o outro e sua visão de mundo.  Mas não  como espelho. Mas reconhecer o olhar do outro como diverso e complementar ao seu.  Será?

domingo, 19 de janeiro de 2014

Nova leitura..

..."Uma vez por outra, Blimunda levanta-se mais cedo, antes de comer o pão de todas as manhãs, e,  deslizando ao longo da parede para evitar pôr os olhos em Baltasar, afasta o pano e vai inspecionar a obra feita, descobrir a fraqueza escondida do entrançado, a bolha de ar no interior do ferro, e, acabada a vistoria, fica enfim a mastigar o alimento, pouco a pouco se tornando tão cega como a outra gente que só pode ver o que à vista está. Quando isto fez pela primeira vez e Baltasar depois disse ao padre Bartolomeu Lourenço, Este ferro não serve, tem uma racha dentro, Como é que sabes, Foi Blimunda que viu, o padre virou-se para ela, sorriu, olhou um e olhou outro, e declarou, Tu és Sete-Sóis porque vês às claras, tu serás Sete -Luas porque vês às escuras, e assim, Blimunda, que até aí só se chamava, como sua mãe, de Jesus, ficou sendo Sete-Luas, e bem baptizada estava, que o batismo foi de padre, não alcunha de qualquer um. Dormiram nessa noite os sóis e as luas abraçados, enquanto as estrelas giravam devagar no céu, Lua onde estás, Sol aonde vais." ...


                                              Memorial do Convento, José Saramago, p.121,122