domingo, 2 de outubro de 2011

Miscelânea...E um pedido de ajuda.

      Há alguns dias, lendo o blogexperimental, deparei com uma poesia incrível, que se apresenta em latim: Post blanda veneris, cujo significado vai ficar assim mesmo, oculto para nós, leigos e mortais. A poesia é maravilhosa devido ao tema, às imagens e movimentos que desencadeia. Faz parte de uma coletânea chamada Carmina Burana...Lá fui pesquisar o que era aquilo. Pois bem: Carmina Burana é uma coletânea de poemas medievais, escritos entre os séculos XI, XII e XIII, encontrada num monastério na Baviera, Alemanha. Foram escritos por clérigos vagantes, que se formaram dentro da instituição católica, mas que não assumiram de fato a função de padres. Eram altamente letrados, intelectuais, e não deviam obrigações a nenhuma ordem da Igreja. E muito menos a nenhuma ordem feudal. Eram LIVRES, num mundo de vassalagens...Suas poesias formam uma crítica ao contexto medieval em vários aspectos. Foram chamados de goliardos, e promoveram uma mudança na forma de se escrever poesias que influenciaram um leque imenso de poetas ao longo dos séculos, chegando até a Geração Beat! Descoberta que me tirou o fôlego...Carmina Burana deu origem a uma ópera de mesmo nome, de um outro alemão, Carl Orff, escrita no século passado, que é arrebatadora...Acabei comprando o livro e baixando a ópera no Youtube pra compreender melhor tudo aquilo. Porém, o livro não traz todos os poemas do Carmina, apenas os escolhidos pelo Carl Orff para comporem sua obra. Agora estou pensando em como fazer para adquirir os tais poemas medievais em sua totalidade, se é que é possível. Se alguém puder me ajudar nessa empreitada, adoraria.
Vai um trechinho de uma dessas pérolas:   
Queimando interiormente

Queimando interiormente
numa ira violenta,
com extrema amargura
falei à minha mente:
criado da matéria, 
das cinzas dos elementos,
sou como a folha
soprada pelos ventos.
[...]
A esmo sou levado
como uma nave sem piloto,
e pelos ares voo
como um pássaro ao sabor dos ventos,
correntes não me prendem,
chaves não me trancam,
eu procuro os que semelham, 
e me uno aos desajustados.
[...]
Eu vou pelos largos caminhos,
como são os da juventude, 
eu me entrego aos vícios
e me esqueço das virtudes,
desejoso de volúpias,
muito mais que de salvação,
morto em minha alma,
à minha carne me devoto.

Descobre-se uma outra Idade Média, como já suspeitava, dinâmica e desejosa de mudanças. Muitos desses poetas, intelectuais, foram condenados a morte por tais ousadias...
 E como uma coisa leva a outra, voltei a ler Pergunte ao Pó, de John Fante, escritor que inspirou a geração beatnik. Publicado em 1939, conta a história de Arturo Bandini, um aspirante a escritor nos Estados Unidos, e começa assim:
Uma noite, eu estava sentado na cama do meu quarto de hotel em Bunker Hill, bem lá no centro de Los Angeles. Era uma noite importante na minha vida porque eu tinha que tomar uma decisão importante sobre o hotel. Ou eu pagava ou caía fora: era isso que a nota dizia, a nota que a proprietária tinha enfiado por baixo da minha porta. Um grande problema, que merecia muita atenção. Resolvi o problema apagando a luz e indo pra cama.  
É mais um daqueles que você não consegue largar...
Agora, estou pensando nas músicas que compõem meu estar aqui...

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