quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Caminhando com o vidro azul...

Todo ano, pra mim, tem uma forma de espiral, que gira e gira, ascendendo numa região ora nebulosa, ora transparente e escura, como nos apresenta o espaço sideral. Todo ano tem uma cor clara, entre branco e azul e amarelo. Assim também são os meses, as semanas e os dias, cada um com determinada variação dessas cores... Lembro-me que em uma das aulas com meu querido professor de Filosofia da FACHI, o José Carlos, discutimos sobre isso e não me lembro mais a qual conclusão chegamos, mas tinha a ver com nossa percepção de mundo, do Tempo. Para uma amiga, o ano tem um formato de uma barra, com os anos iniciando embaixo e terminando num nada... acima, sem um se ligar ao que se foi...
Escrevo isso porque em agosto escrevi sobre as possibilidades que nos são dadas naquele mês de ventanias e sinais de mudanças...
Em 2011 tive muito trabalho nas duas escolas. Turmas tão díspares e tão cheias de identidades. Ao mesmo tempo em que existem alunos sem a menor identificação com a leitura de texto e muito menos com a escrita, outros já não conseguem ficar sem essas duas ferramentas de expressão cultural, buscando produzir algo que demonstrem a si mesmos e suas interpretações de mundo...Ainda bem que assim seja. 
Através do Facebook, reatei contato com antigas amizades, estabeleci outras, virtuais. 
Descobri que o que me resgata e desvia de uma situação paralisante é o ato mesmo de caminhar, proposta inicialmente feita pela Maria, uma vizinha, amiga de infância, que me propôs caminhar na pracinha próxima a minha casa. Gostei, principalmente do estado de profundo relaxamento e euforia que vivenciei após andar por um determinado período. Talvez também seja uma forma de viver de maneira mais intensa aquilo que foi retirado de meu finado marido, numa estranha relação aos dias que passou numa cadeira de rodas, dependendo de todos pra tudo, durante seus últimos onze anos de vida. Estranho, passa-se o tempo, porém sinto-me mais próxima dele, e no entanto, ele não mais existe, a não ser em minha mente...
Essa atividade me pôs em contato com um grupo de caminhantes, veteranos na estrada, e assim me lancei em janeiro desse 2012 numa viagem a pé num trecho da Estrada Real, caminhando 22 km. 
Também naquele mês, vi coisas que me surpreenderam muito positivamente e uma delas foi uma rádio, em forma de podcast, chamada Vidro Azul. O mentor dessa rádio é um português que mora nos EUA e posta músicas, pra mim, totalmente inéditas e belíssimas, e como ele, Ricardo Mariano, às vezes diz, viciantes...A marca dessa rádio singular é uma foto em preto e branco de uma janela, com um vasinho com margaridas. Às vezes, as transmissões me conduzem a um estado de profunda tranquilidade, outras vezes, a uma imensa tristeza...Fico pensando no porque desse nome: Vidro Azul. Lembro de que quando era criança brincava com um vidro de leite de magnésia azul. Era uma espécie de amigo imaginário com o qual conversava muito, e isso me ajudava a entender aquele mundo ao meu redor. Infâncias...Depois me lembrei que uma amiga morava numa casa antiga, do século XIX, cujas janelas são adornadas por um vidro azul, raríssimo e muito bonito. Evitar que quebrem é uma constante para aqueles que lá residem. Então o nome da rádio tem a ver com infâncias e raridades...Pra mim é o bastante pra explicar minha identificação com tais transmissões.
De todas essas trilhas que se mostram, a mais intrigante e difícil é a que se abre dentro de mim. Percebo-me propícia a alargar ao máximo minhas fronteiras, a estabelecer novas abordagens de temas antigos e a não temer o que vem pela frente. E, principalmente, a não perder a minha criança interna, aquele lado encantado pelo o quê a vida permite viver...Tudo passa, inclusive eu. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Música

Há algum tempo senti necessidade de dizer sobre as músicas que compõem a minha trilha sonora. Algo que demonstrasse as vivências marcantes que tive e que tiveram uma música especial de fundo. Assim, sem mais nem menos. Talvez porque música pra mim é como o ar. Importantíssimo. O que não quer dizer que toco um instrumento. Até que tentei por algum tempo tocar violão, e apesar de ter ritmo e afinação percebi que aquela coisa de decorar as cifras das músicas não era minha praia. Parei de tocar quando meus dedos já tinham calos e já não doíam ao tocar as cordas. Gostava mesmo era de ouvir música. Lembro-me bem que quando fui morar fora de casa, lá em São Paulo, e depois em Belo Horizonte, quando a saudade batia (na verdade quando não é apropriado, mas hora sim e outra também), a primeira coisa que me ocorria era a necessidade de ouvir música. Na época, ela vinha de um rádio relógio que meu pai providenciou, antes de minha partida. Adoro ouvir rádio. Mas aquelas que mais tocam do que conversam. O que são poucas e raras no comércio atual. Mas, voltando à questão da trilha sonora, percebi que seria muito difícil listar todas elas, pois são mesmo muitas. Pensei então em  cerceá-las às dez mais, mas me embaralhei ao escolher quais comporiam esta lista. Decidi que seriam aquelas mais tocantes, que compusessem algo mais que simples músicas, algo primário e visceral: o som do vento num bambuzal...a chuva caindo lá fora... o canto do sabiá laranjeira, do canário chapinha, do melro, do pintassilgo... O chapinha começa a cantar de madrugada, entre quatro e meia e cinco horas e é muito gostoso de ouvir e perceber o sol chegando devagarinho, como se ele também estivesse com preguiça de levantar. Para os amantes do dia, é a hora primeira do amor, aquele pra começar o dia de bem com a vida... O sabiá canta muito a tardinha e é um canto bonito e tristonho, como se ele também se despedisse do dia e abrisse o caminho para a noite. O som desses seres alados e delicados evocam em mim os pés descalços na terra de minha infância, o vento balançando os cabelos, e a vontade louca de liberdade que eles vivem...Quanto a minha trilha sonora...voltaremos nela mais tarde. Mesmo. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Li e gostei...E chorei...

"[...]Caro Sammy:
Aquela putinha esteve aqui a noite passada; você sabe, Sammy, a gringa nojenta com aquele corpo todo e a cabeça de uma débil mental. Ela me apresentou algumas coisas parecidas com textos supostamente escritos por você. A seguir ela afirmou que a foice da morte está muito perto do seu tuberculoso pescoço. Em circunstâncias normais, eu diria que é uma situação trágica. Mas tendo lido o lixo que seus originais contêm, deixe-me falar com toda franqueza que seu passamento será um benefício para toda a humanidade. 
Você não escreve bosta nenhuma, Sammy [...]
Aí estava, liquidado, devastador. Dobrei os originais, coloquei a nota com eles dentro de um envelope grande, selei, pus o endereço para Samuel Wiggins, posta restante, San Juan Califórina, selei, e enfiei no bolso. Desci e fui até a caixa do correio na esquina. Passava um pouco das três de uma madrugada sem igual. O azul e o branco das estrelas eram como cores do deserto, uma delicadeza  tão arrepiante que eu tive que parar e pensar que poderia ser tão agradável. Nenhuma folha das palmeiras sujas se mexia. Nem um som.
      Tudo que havia de bom em mim tremeu no meu coração naquele momento, tudo o que eu esperava no sentido profundo e obscuro da minha existência. Aí estava a infinita placidez muda da natureza, indiferente à grande cidade; aí estava o deserto debaixo dessas ruas, esperando a cidade morrer, para cobri-la com areias imemoriais de novo. Me sobreveio uma apavorante consciência do significado e do destino patético do homem. O deserto estava sempre ali, um paciente animal branco, esperando as pessoas morrerem, as civilizações passarem e sumirem na escuridão. Naquele momento, os homens me pareceram valentes, e eu fiquei orgulhoso de ser um deles. Todo o mal do mundo não parecia mal, mas inevitável e coisa boa e parte daquela luta sem fim para manter o deserto lá embaixo.
Olhei para o sul, na direção das grandes estrelas, e eu sabia que praqueles lados ficava o deserto de Santa Ana, que debaixo das estrelas numa cabana havia um homem como eu, que talvez seria engolido pelo deserto antes de mim, e em minhas mãos eu tinha um esforço seu, uma expressão da sua luta contra o silêncio implacável em direção ao qual ele estava sendo arrastado. Assassino ou garçom ou escritor, não importa : seu destino era o de todo mundo, seu fim, meu fim; e aqui de noite nesta cidade de janelas escuras havia outros milhões como ele e como eu: inseparáveis como folhas da relva que vão morrer. Viver é um troço duro. Morrer é o trabalho máximo. E Sammy ia morrer logo.
    Parei diante da caixa do correio, encostei a cabeça nela, e morri de pena de Sammy, e de mim, e de todos os vivos e de todos os mortos. Me perdoa Sammy! Perdoa um imbecil! Voltei para meu quarto e levei três horas escrevendo a melhor crítica sobre seu trabalho que eu podia fazer. Não disse que isto estava ruim ou que estava errado. Disse que isto, em minha opinião, seria melhor assim, e assim, e assim por diante. Fui dormir lá pelas seis, mas foi um sono feliz. Como eu era uma pessoa maravilhosa! Um homem gentil, de fala mansa, um grande homem, amando igualmente todas as coisas, homens e animais."

Esse é um trecho (p. 121 a 123) do livro "Pergunte ao Pó", de John Fante, escrito em 1939. Fante, escritor inspirador de Charles Bukowiski, da geração beatinik... Mais, recomendo a leitura de todo o livro. É implacável!

domingo, 2 de outubro de 2011

Miscelânea...E um pedido de ajuda.

      Há alguns dias, lendo o blogexperimental, deparei com uma poesia incrível, que se apresenta em latim: Post blanda veneris, cujo significado vai ficar assim mesmo, oculto para nós, leigos e mortais. A poesia é maravilhosa devido ao tema, às imagens e movimentos que desencadeia. Faz parte de uma coletânea chamada Carmina Burana...Lá fui pesquisar o que era aquilo. Pois bem: Carmina Burana é uma coletânea de poemas medievais, escritos entre os séculos XI, XII e XIII, encontrada num monastério na Baviera, Alemanha. Foram escritos por clérigos vagantes, que se formaram dentro da instituição católica, mas que não assumiram de fato a função de padres. Eram altamente letrados, intelectuais, e não deviam obrigações a nenhuma ordem da Igreja. E muito menos a nenhuma ordem feudal. Eram LIVRES, num mundo de vassalagens...Suas poesias formam uma crítica ao contexto medieval em vários aspectos. Foram chamados de goliardos, e promoveram uma mudança na forma de se escrever poesias que influenciaram um leque imenso de poetas ao longo dos séculos, chegando até a Geração Beat! Descoberta que me tirou o fôlego...Carmina Burana deu origem a uma ópera de mesmo nome, de um outro alemão, Carl Orff, escrita no século passado, que é arrebatadora...Acabei comprando o livro e baixando a ópera no Youtube pra compreender melhor tudo aquilo. Porém, o livro não traz todos os poemas do Carmina, apenas os escolhidos pelo Carl Orff para comporem sua obra. Agora estou pensando em como fazer para adquirir os tais poemas medievais em sua totalidade, se é que é possível. Se alguém puder me ajudar nessa empreitada, adoraria.
Vai um trechinho de uma dessas pérolas:   
Queimando interiormente

Queimando interiormente
numa ira violenta,
com extrema amargura
falei à minha mente:
criado da matéria, 
das cinzas dos elementos,
sou como a folha
soprada pelos ventos.
[...]
A esmo sou levado
como uma nave sem piloto,
e pelos ares voo
como um pássaro ao sabor dos ventos,
correntes não me prendem,
chaves não me trancam,
eu procuro os que semelham, 
e me uno aos desajustados.
[...]
Eu vou pelos largos caminhos,
como são os da juventude, 
eu me entrego aos vícios
e me esqueço das virtudes,
desejoso de volúpias,
muito mais que de salvação,
morto em minha alma,
à minha carne me devoto.

Descobre-se uma outra Idade Média, como já suspeitava, dinâmica e desejosa de mudanças. Muitos desses poetas, intelectuais, foram condenados a morte por tais ousadias...
 E como uma coisa leva a outra, voltei a ler Pergunte ao Pó, de John Fante, escritor que inspirou a geração beatnik. Publicado em 1939, conta a história de Arturo Bandini, um aspirante a escritor nos Estados Unidos, e começa assim:
Uma noite, eu estava sentado na cama do meu quarto de hotel em Bunker Hill, bem lá no centro de Los Angeles. Era uma noite importante na minha vida porque eu tinha que tomar uma decisão importante sobre o hotel. Ou eu pagava ou caía fora: era isso que a nota dizia, a nota que a proprietária tinha enfiado por baixo da minha porta. Um grande problema, que merecia muita atenção. Resolvi o problema apagando a luz e indo pra cama.  
É mais um daqueles que você não consegue largar...
Agora, estou pensando nas músicas que compõem meu estar aqui...

domingo, 11 de setembro de 2011

Li e gostei...Algo sobre a lua...

Um dos textos mais bonitos e estimulantes que já li faz parte o livro Palomar, do escritor cubano-italiano Ítalo Calvino, e chama-se Lua do entardecer. 
    "Ninguém observa a lua do entardecer, e no entanto é nesse momento que o nosso interesse por ela seria mais necessário, já que sua existência encontra-se ainda em estado de expectativa. É uma sombra esbranquiçada que aflora do azul intenso do céu, carregado ainda de luz solar; quem nos assegura que ainda desta vez irá adquirir forma e luminosidade? Parece tão frágil e pálida e sutil; só numa parte começa a adquirir um contorno nítido como um arco de foice, enquanto todo o resto permanece ainda embebido no azul-celeste.É como uma hóstia transparente, ou uma pastilha meio dissolvida; só que o círculo branco não está se desfazendo mas se condensando, aglomerando a custo as manchas e sombras cinzentas azuladas que não se sabe se pertencem à geografia lunar ou são babas do céu que ainda empapam o satélite poroso como se fosse uma espuma." E por aí ele vai descrevendo cada fase desse processo com uma lucidez e uma poesia impressionantes.
Todo vez que o leio, é como se ouvisse uma sinfonia grandiosa e suave ao mesmo tempo, tamanha é a excitação que me provoca, devido à sucessão de imagens desencadeadas em minha mente. É como um êxtase...
Esse texto foi sugerido por uma professora da PUC/MG (cujo nome me escapa, infelizmente), na minha Pós-Graduação em Planejamento Estratégico e Sistemas de Informação, no meio do anos 1990. O objetivo era compreender e relacionar o pensamento e o método científico... Lembro-me dela e de sua alegria em compartilhar seus conhecimentos conosco. Das coisas todas que aprendi nessa pós, o que mais me tocou foram as indicações de leituras sugeridas por todos os doutores e Ph Ds do curso. Foi nessa época que devorei a saga  O Senhor dos Anéis, iniciando pela leitura do Hobbit, após um belo toque de meu saudoso  e querido primo Fernando. Fica aqui a indicação de leitura e a certeza de irão se divertir por demais... E sobre ela, uma música que também compartilho sempre... Quanto às imagens, sugiro que a observem no céu, pois estamos na cheia de setembro. 


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Nosso precioso tempo.

Ando a cismar sobre nosso breve tempo nesta vida. Penso que fomos todos feitos para morrer de velhice. Quando acontece antes, não é natural. A não ser quando nosso próprio corpo assim reage. Passei a lembrar de todos os velhinhos com os quais andei convivendo durante esses anos. Há um momento em que deixam simplesmente de lembrar onde estão, o que estão fazendo. Dona Divina, uma vizinha muito amiga da família, morreu com mais ou menos noventa anos, pensando que seu namorado de infância estava vindo visitá-la. Suas filhas, pacientemente concordavam com tudo o que dizia. Ela sorria feliz da vida... Meu pai passou por isso antes de morrer. Perguntei pra ele, num momento de calma e lucidez, como se sentia em relação a esses lapsos de memória, e ele me olhou no fundo de meus olhos e respondeu, calmamente, que simplesmente não sabia como ele foi se sentar na cadeira do alpendre. "-Não me lembro de como vim parar aqui. Se me dizem que é hora de comer, como, se me dizem que é hora de dormir, vou pra cama. Estou assim. Sim filha, é a ação deletéria do tempo. Não há o que fazer." Até agora fico impressionada com a coragem,serenidade e dignidade de meu pai diante do que lhe ocorria...Estava velho e percebia que o fim lhe era próximo. Ficava horas sentado na varanda a olhar o que se passava na rua, nas árvores diante da varanda, os animais trançando de um lado pra outro. Inventava lembranças, quando os fatos que realmente ocorreram turvavam-lhe na memória...E sempre agradecia nossos gestos de carinho. 
Agora, minha mãe chegou nessa fase de esquecimentos. Um sábado desses, quando íamos numa festa de aniversário, levei-a ao salão para cortar e pintar seus cabelos. Andamos de braços dados, como ela fazia comigo quando criança - agora sou eu quem a amparo e cuido pra que fique no canto do passeio. Pouco antes da hora de irmos pra tal festa, minha mãe foi se aprontar. Tomou outro banho e lavou a cabeça novamente. Falei pra ela: -Putz mãe, desmanchou a escova que a Helena fez... Ela me olhou e disse: Oh! Esqueci... Caímos na gargalhada....Essa é uma característica  da família dela, que herdamos com o maior prazer: rir de nossas fraquezas. Somos meio que palhaças de nós mesmas. Percebi então que estas coisas fazem parte de nossa programação para partirmos...E quem sabe recomeçarmos em outra dimensão. Não sei nada, não tenho ideia do que pode ocorrer. Tudo é especulação. Mas uma coisa é certa: temos um determinado número de anos para vivermos ESSA vida. Nada mais. E quanto de nosso precioso tempo celebramos e agradecemos por estarmos  aqui? Assim, respirando e observando maravilhados a vida?...  

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mais uma vez, e sempre...

Do ponto de vista histórico existem períodos que muito me impressionam, alguns de maneira especial: final do século XIX, os anos 1920, os anos 1950, 60, a chamada Pré-história... Mas nada se compara ao que vivemos a g o r a. Ué, não poderia ser de outra forma. Se eu escolher qualquer um, será sempre a partir do que vivencio já. Então, partindo daqui pra aqui mesmo, fico pasma com a falta de memória que grassa. Isso é ruim porque parece que andamos em círculo, repetindo eternamente ideias, ações. Há uma prática moralista, carcomida e cheia de lodo, que proíbe um monte de coisas. Não faço apologia a nada, mas historicamente e por experiência, sabemos que tudo que é proibido, parece, de certa forma, mais gostoso, atraente. Ao invés de se proibir, esclareça e dê opções, alternativas. Vê e põe reparo na legislação e na discussão sobre drogas e aborto. Dois temas espinhosos porque, apesar de considerados ilegais, só tem aumentado o número de usuários e práticas abortivas. Estão aí as estatísticas demonstrando que não estou viajando...Vá lá saber o que leva uma pessoa a buscar esse agir! 
Penso que liberdade é algo pelo qual ainda devemos lutar. E uma coisa é muito, muito certa: o que de fato possuímos mesmo é o nosso corpo. Sem ele...Então, amo aquela frase anarquista: sobre mim, apenas o céu.     
Liberdade rima com respeito ao próximo, com responsabilidade  - sem caretice, por favor...